Resumo: O teste de bandas usa um único anilox gravado com faixas (bandas) de volumes e lineaturas diferentes. O objetivo é descobrir a menor carga de tinta que ainda entrega densidade e cor adequadas na flexografia, reduzindo assim o ganho de ponto. Como referência, recomendamos especificar incrementos de pelo menos 0,70 BCM (bilhões de mícrons cúbicos por polegada quadrada) entre as bandas. Em geral, essas faixas vão de 1,0 a 5,0 BCM ou mais. Já que o teste é caro e demorado, os benchmarks dos fabricantes de anilox servem como ponto de partida mais rápido.
Um dos maiores desafios da flexografia, desde sempre, foi dimensionar a quantidade de tinta que o anilox aplica sobre o clichê. Em outras palavras, a meta é a quantidade “ótima”, apenas o suficiente para imprimir com qualidade, reduzindo os efeitos do ganho de ponto. Nesse sentido, o teste de bandas é uma das ferramentas mais científicas para chegar a esse número.
O que é um teste de bandas (anilox de bandas)?
A escolha do anilox para cada elemento a imprimir define a quantidade de tinta. Além disso, essa escolha deve respeitar uma proporcionalidade entre lineatura e volume. A evolução da pré-impressão flexográfica, dos clichês, das tintas e do próprio anilox (em termos de geometria dos alvéolos ou canais) vem modificando essa regra. Hoje, os convertedores imprimem lineaturas cada vez mais altas, com uma camada de tinta ínfima e, ainda assim, com densidades de impressão adequadas.
O chamado anilox de bandas, ou teste de bandas (banded roll) é sempre algo controverso. Apesar disso, ainda é uma das formas mais científicas de entender a fundo essa relação entre dosagem e formação da película de tinta sobre a superfície do clichê.
Na prática, trata-se de um único cilindro ou camisa anilox gravado com várias faixas, cada uma com uma combinação diferente de lineatura e volume. O clichê do teste repete os mesmos elementos gráficos em todas as bandas, de modo que a única variável seja o anilox. Bem projetado, o rolo tem uma banda de volume alto demais e outra baixo demais. Dessa forma, os volumes ideais para cada tipo de grafismo ficam entre elas.
Para que serve o teste de bandas na flexografia?
O objetivo é encontrar a combinação de lineatura e volume que imprime com a película de tinta mais fina possível. Ao mesmo tempo, a impressão não pode abrir mão da força de cor. De acordo com a fabricante de anilox Harper Corporation, o volume é o principal fator de controle na flexografia. Além disso, películas mais finas reduzem o ganho de ponto, deixando a impressão mais limpa e previsível.
Os fabricantes medem o volume do anilox em BCM (billion cubic microns), ou seja, bilhões de mícrons cúbicos por polegada quadrada de superfície gravada. Portanto, quanto maior o BCM, mais tinta o anilox carrega e transfere.
Além disso, o teste tem um papel educacional importante. Afinal, é um ótimo exercício com impressores, coloristas e equipe de pré-impressão para entender, medir e otimizar o processo flexográfico.
Como especificar um anilox de bandas?
Projetado de forma correta, um anilox de bandas ainda assim pode falhar nas extremidades da área gravada. Por isso, a especificação merece cuidado:
- Incrementos de volume: convém especificar os cilindros de banda em incrementos razoáveis, porque os volumes gravados também têm variação de fabricação. Incrementos de não menos que 0,70 BCM são uma boa referência; diferenças menores tendem a gerar leituras muito próximas ou sobrepostas no densitômetro;
- Tolerância: em um de seus testes, a própria Harper cita um anilox especificado em 1,8 BCM com tolerância de ±0,1 BCM. Isso mostra, portanto, por que bandas muito próximas se confundem;
- Faixa de volumes: o range costuma ir de 1,0 BCM até 5,0 BCM ou mais, dependendo do tipo de revestimento e do grafismo a imprimir (chapados, brancos de média e alta cobertura, sólidos Pantone etc.);
- Posição das bandas: as gravações com mais chance de sucesso devem ficar no centro da face do anilox. Já as extremidades devem ter bandas de controle iguais entre si, a fim de confirmar o equilíbrio e a transferência;
- Informações para os fornecedores: o fabricante do anilox precisa das larguras de bobina e de impressão para posicionar as bandas. Da mesma forma, o fornecedor de clichês precisa do desenho do rolo para montar as pistas.
As recomendações de posição, controle e informações vêm de um artigo técnico da Harper publicado na Label & Narrow Web (2017). O mesmo texto sugere perguntar antes ao fornecedor de tinta se ele já formulou o sistema para um volume específico. Afinal, essa informação pode estreitar bastante o teste.
O que acontece com volume baixo ou alto demais?
Os resultados desejáveis, portanto, ficam entre os dois extremos. A tabela resume o que se observa em cada ponta:
| Volume do anilox | Efeitos na impressão |
|---|---|
| Muito baixo | Cor, cobertura (deposição de tinta, ou ink laydown) e peso de revestimento insuficientes |
| Muito alto | Ganho de ponto elevado, baixo contraste de impressão, cor fora do padrão e peso de revestimento elevado, com custos também maiores |
| Adequado | Densidade e cor no alvo com a película mais fina possível |
Que variáveis influenciam o resultado do teste?
Além disso, o processo exige considerar variáveis ligadas à deposição correta da camada de tinta:
- O tipo de clichê;
- O uso de retículas de superfície (ou chapas de performance);
- A densidade das fitas dupla-face;
- As tintas propriamente ditas;
- As velocidades médias de impressão.
As retículas de superfície, sobretudo, merecem atenção especial. Segundo a Harper, mantidos a mesma tinta e o mesmo anilox, as novas superfícies de clichê podem aumentar a densidade de sólido ou a força de cor em até 20 a 30%. Ou seja, o volume escolhido não pode “matar de fome” essas estruturas. Aliás, já testamos esse efeito aqui no blog, em Testando clichês com aplicação de micro texturas de superfície.
Quanto mais técnico e abrangente o teste, mais tempo ele leva. E não nos esqueçamos das diferentes lineaturas, da espessura de textos e elementos e dos pontos mínimos que se deseja obter. Outro cuidado básico é garantir que o anilox esteja limpo e com o volume medido antes do teste. Por isso, vale ler sobre a limpeza a laser de anilox.
Quando fazer o teste de bandas e quando usar o benchmark do fabricante?
Produzir um anilox de bandas é, de certo modo, um processo caro, com prazos de entrega (lead times) alongados. Aqui entre nós, um anilox de bandas não facilita muito a vida do fabricante de cilindros e camisas, sempre bastante atarefado. Além disso, o teste exige foco e atenção minuciosa em todas as avaliações, bem como um tempo precioso de máquina rodando.
Por essas razões, algumas situações pedem um teste de bandas mais do que outras. Isso acontece, por exemplo, quando o fornecedor de tinta ou de clichê não sabe qual volume recomendar. Também vale o teste para validar uma combinação nova de anilox, clichê e tinta.
No entanto, hoje existe um benchmark muito sólido dos fabricantes de anilox para recomendar lineaturas e volumes para basicamente qualquer situação de impressão. Em geral, é mais rápido, assertivo e econômico como ponto de partida. A Harper, por exemplo, publica esta referência aproximada:
| Aplicação | Lineatura do anilox (linhas por polegada) | Volume (BCM) |
|---|---|---|
| Traços pesados e chapados | 180 a 330 | 9 a 4 |
| Traços e textos | 200 a 400 | 8 a 3 |
| Degradês (vinhetas) | 360 a 500 | 3,6 a 2,8 |
| Policromia (retícula) | 500 a 1.200 | 2,8 a 0,9 |
Os valores variam conforme a tinta, o clichê e a publicação do próprio fabricante, por isso são um ponto de partida, e não uma regra. Consulte o seu fornecedor, como a Apex ou a Laserflex. E, se quiser estruturar o teste com a sua equipe, conheça os programas Excelência em Flexografia e Color Masters: dominando o gerenciamento de cores, da ProjetoPack.
Perguntas frequentes sobre teste de bandas
O que é um teste de bandas?
É o teste feito com um único cilindro ou camisa anilox gravado com várias faixas, as bandas, cada uma com uma combinação diferente de lineatura e volume. O clichê repete os mesmos elementos gráficos em todas as bandas, de modo que a única variável seja o anilox. O objetivo é achar a película de tinta mais fina que ainda entrega densidade e cor adequadas na flexografia, reduzindo o ganho de ponto.
O que significa BCM no anilox?
BCM, do inglês billion cubic microns, é a unidade de volume da gravação do anilox: bilhões de mícrons cúbicos por polegada quadrada. Ou seja, indica quanta tinta os alvéolos conseguem carregar e transferir ao clichê.
Qual incremento de volume usar entre as bandas?
A nossa referência é de no mínimo 0,70 BCM entre bandas. Como o volume gravado tem tolerância de fabricação (a Harper cita ±0,1 BCM em um anilox de 1,8 BCM), incrementos menores tendem a gerar leituras muito próximas ou sobrepostas no densitômetro.
O que acontece se o volume do anilox for baixo ou alto demais?
Com volume muito baixo, faltam cor, cobertura de tinta e peso de revestimento. Com volume muito alto, o ganho de ponto sobe, o contraste de impressão cai, a cor sai do padrão e o peso de revestimento e os custos aumentam. Os resultados desejáveis ficam entre os dois extremos.
O teste de bandas é obrigatório?
Não. Os fabricantes de anilox já têm recomendações sólidas de lineatura e volume como ponto de partida. O teste de bandas, por outro lado, aprofunda a análise em casos específicos, como novas combinações de tinta, clichê e anilox.
Leia mais em nosso blog: O que é flexografia?