Resumo: A offset digital é um sistema de impressão digital indireto, também chamado de eletrofotografia líquida. A tecnologia nasceu na Indigo, empresa israelense que Benny Landa fundou em 1977 e que a Hewlett-Packard (HP) adquiriu em 2001. Dessa forma, o sistema combina a blanqueta aquecida da offset convencional com a formação da imagem diretamente a partir do arquivo digital, sem gravação de chapas. Por isso, permite imprimir a partir de uma única cópia e fazer personalização em massa.
O que é offset digital?
A offset digital é um sistema de impressão digital indireto, conhecido também como eletrofotografia líquida. Antes de tudo, para entender o nome, vale começar pela offset tradicional.
Na impressão offset tradicional, as chapas metálicas gravadas transferem as imagens ao substrato por meio de outro elemento. Trata-se de um cilindro revestido de borracha ou elastômero, conhecido como cauchu ou blanqueta. Ou seja, é esse “intermediário” que torna o processo indireto.
Nos sistemas de impressão digital, por outro lado, não é preciso “gravar” as imagens em uma chapa. Pelo contrário, a máquina imprime as imagens diretamente a partir dos arquivos da pré-impressão. Em certos sistemas digitais, os dados controlam os depósitos de tinta ou toner; em outros, a exposição.
A empresa israelense Indigo, que a HP adquiriu em 2001, combinou conceitos da impressão offset convencional e da impressão digital em um novo sistema de reprodução gráfica. Assim nasceu a eletrofotografia líquida, ou offset digital, conhecida pela sigla LEP (Liquid Electrophotographic Process, processo eletrofotográfico líquido). Além disso, o sistema da HP Indigo usa uma blanqueta aquecida, bastante similar à da offset tradicional, antes de transferir a tinta ao substrato por pressão.
Qual a diferença entre offset convencional e offset digital?
As duas tecnologias usam a blanqueta como intermediária, mas a forma de criar a imagem é completamente diferente. A tabela resume os pontos principais:
| Critério | Offset convencional | Offset digital (HP Indigo) |
|---|---|---|
| Formação da imagem | Chapa metálica gravada para cada trabalho | Imagem gerada a cada giro por laser sobre a placa de imagem fotográfica (PIP, Photo Imaging Plate), a partir do arquivo digital |
| Princípio de separação | Repulsão entre a tinta gordurosa e a água da solução de molha | Cargas elétricas atraem a tinta para as áreas de imagem |
| Setup e chapas | Exige gravação de chapas e acerto de máquina | Sem gravação de chapas e praticamente sem setup |
| Tiragem mínima | Depende de diluir o custo de chapas e acerto | A partir de uma única cópia |
| Personalização | Todas as cópias iguais dentro do mesmo trabalho | Imagem diferente a cada revolução do tambor |
Como funciona a impressão da HP Indigo?
Na impressão offset convencional, a imagem se forma porque a “gordura” da tinta e a água da solução de molha se repelem. As chapas offset têm as zonas impressoras (os grafismos), compatíveis com a tinta, e as zonas não impressoras (o contragrafismo), compatíveis com a água.
No sistema offset digital da HP Indigo, no entanto, cargas elétricas criam essa repelência. De acordo com a descrição técnica da própria HP e um artigo da Society for Imaging Science and Technology (IS&T), o ciclo é o seguinte:
- Primeiramente, uma unidade de carga deposita uma carga elétrica uniforme sobre a PIP, a placa fotocondutora;
- Em seguida, feixes laser expõem a placa e neutralizam a carga nas áreas de imagem, formando uma imagem latente;
- A unidade de tintagem de cada cor, chamada BID (Binary Ink Developer), entra então em contato com a placa: as áreas de imagem atraem a tinta, enquanto as demais a repelem;
- Logo depois, a imagem passa eletricamente para a blanqueta aquecida;
- Ali, o calor funde as partículas de resina da tinta e evapora a maior parte do óleo, formando assim um filme quente, quase seco e pegajoso;
- Por fim, em contato com o substrato, mais frio, o filme solidifica e se transfere por completo.
Nas máquinas planas, a blanqueta transfere cada cor em uma volta (processo multi-shot). Por outro lado, nas máquinas de bobina e com materiais sensíveis ao calor, as cores se acumulam na blanqueta. Depois, todas vão ao substrato de uma vez (processo one-shot).
O que é a PIP (Photo Imaging Plate)?
A PIP (Photo Imaging Plate, placa de imagem fotográfica) é o “coração” do processo. Ela fica montada no cilindro de imagem e funciona como uma chapa regravável. Ou seja, a cada giro a placa recebe carga, passa pelo laser e recebe a tinta. Em seguida, transfere a imagem e passa por uma limpeza para o próximo ciclo. Por isso, a imagem pode mudar a cada revolução.
O que é a tinta ElectroInk?
Um dos grandes segredos do sucesso da HP Indigo com a eletrofotografia líquida é a sua tinta patenteada, a ElectroInk. A HP fornece a tinta como um concentrado, em embalagens que permitem um manuseio limpo pelo operador. Dentro da máquina, então, o concentrado se dilui em um óleo especial (o veículo). Dessa forma, surge um fluido com a viscosidade e as propriedades reológicas adequadas à impressão.
Além disso, o tamanho reduzido das partículas resulta em alta resolução, brilho uniforme e contornos definidos. Ao mesmo tempo, gera uma película de tinta muito fina e homogênea, que acompanha a topografia do substrato impresso.
Quais as vantagens dessa tecnologia?
Como qualquer sistema de impressão digital, a offset digital permite imprimir uma imagem diferente a cada revolução ou giro do tambor. Ou seja, basicamente não há nem setups nem despesas com a gravação de chapas, como acontece nos sistemas de impressão analógicos (rotogravura, flexografia, offset etc.).
- Tiragem a partir de uma cópia: é possível imprimir literalmente um trabalho a partir de uma única unidade. Basta pensar quantos nichos de mercado se tornaram viáveis depois que a indústria passou a produzir embalagens, rótulos, etiquetas e impressos editoriais e comerciais em quantidades tão pequenas;
- Personalização em massa: abriu uma nova era de interação entre marcas e consumidores. Por exemplo, tomar uma Coca-Cola rotulada com o seu primeiro nome foi uma ruptura histórica. No Brasil, a Lacta Specials também apostou em embalagens personalizadas com a HP Indigo;
- Sem espera para secagem: como a fusão e a secagem acontecem na blanqueta, o material segue direto para a impressão do verso ou para o acabamento. Outros sistemas digitais, por outro lado, exigem secagem ou cura após a impressão;
- Materiais sensíveis ao calor: a transferência precisa e com menos calor sobre o substrato permite imprimir, inclusive, materiais mais suscetíveis à deformação em altas temperaturas;
- Ampla gama de substratos: de acordo com a HP, a tecnologia imprime em materiais revestidos, não revestidos, sintéticos, metalizados e coloridos.
Onde a offset digital é usada em rótulos e embalagens?
A tecnologia começou no mercado comercial e editorial, mas hoje tem forte presença em embalagens. De acordo com a HP, a linha Indigo atende etiquetas autoadesivas, rótulos termoencolhíveis (shrink sleeves) e in-mold. Além disso, imprime embalagens flexíveis (incluindo retort pouch, saquinhos e sachês) e cartuchos de papelcartão. A HP começou a instalar impressoras voltadas a embalagens flexíveis e cartuchos em 2014.
No Brasil, a presença também é relevante. Em 2020, por exemplo, a empresa falou em aproximadamente 2 mil máquinas para embalagens e rótulos no mundo, na entrevista da HP ao nosso PackCast. Desse total, quase 50 estavam no país. Veja também como a HP Indigo consolida a sua liderança na América Latina.
Quais os desafios técnicos do processo?
Existem muitos desafios técnicos para obter o melhor resultado na impressão offset digital, assim como em qualquer outro sistema de impressão, analógico ou digital:
- Manutenção de um equipamento sofisticado, com rotinas que a equipe precisa seguir à risca;
- Características de imprimibilidade dos substratos;
- Preparação dos arquivos digitais;
- Treinamento operacional dos impressores.
Quem criou a tecnologia?
O fundador, empreendedor e visionário da offset digital é Benny Landa, que fundou a Indigo em 1977. Posteriormente, em 1993, a empresa lançou a E-Print 1000 na feira IPEX (International Printing Exhibition). A máquina imprimia diretamente a partir de um arquivo de computador, sem chapas. Finalmente, em setembro de 2001, a HP anunciou a compra das ações restantes da Indigo, que se tornou a divisão HP Indigo.
Atualmente, Landa continua criando e aperfeiçoando sistemas de impressão na sua nova companhia, a Landa Digital Printing.
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Perguntas frequentes sobre offset digital
O processo usa chapa?
Não há gravação de chapas. Pelo contrário, o laser gera a imagem a cada giro sobre a PIP, a partir dos arquivos de pré-impressão. Além disso, a máquina recarrega e reutiliza continuamente essa placa fotocondutora.
Qual é a tiragem mínima?
É possível imprimir um trabalho a partir de uma única cópia, com imagem diferente a cada revolução do tambor. Por isso, a tecnologia atende bem a personalização em massa e os lotes pequenos de rótulos e embalagens.
É preciso secagem ou cura?
Não há uma etapa separada de secagem ou cura após a impressão. Na HP Indigo, a blanqueta aquece a tinta, e a maior parte do óleo evapora ali. Desse modo, a tinta chega ao substrato como um filme quase seco, que solidifica no contato. Assim, o material pode seguir para o acabamento sem tempo de espera.