Uma feira industrial precisa justificar dois investimentos: o dinheiro do expositor e o tempo do visitante. Por isso, os resultados de feiras precisam de prova.
Morten B. Reitoft publicou na INKISH o artigo “The Elephant in the Room – Loupe”. Nele, levanta um questionamento necessário sobre público, custos de participação e retorno comercial da LOUPE Americas. Concordo com a cobrança por prestação de contas. No entanto, estou menos convencido do veredito generalizado.
O que a LOUPE Americas trouxe
A feira teve novidades relevantes. Por exemplo, a Durst Group anunciou a aquisição da MPS Printing. Além disso, a CERM apresentou a abordagem nativa em nuvem do seu software de gestão, o O2. Por fim, houve demonstrações de produção integrada e avanços em inspeção e cura.
Juntas, essas novidades reforçam uma mudança estratégica: a competição depende cada vez mais de quão bem o sistema de produção inteiro funciona em conjunto. Aliás, é a mesma lógica por trás do planejamento da produção com IA em gráficas e convertedoras.
Nem fracasso, nem sucesso sem evidência
Ainda assim, a presença dessas novidades não prova que expor foi lucrativo. Da mesma forma, corredores vazios, por si só, não provam que o evento fracassou. Por isso, a avaliação dos resultados de feiras precisa separar relevância tecnológica, valor para o visitante e retorno para o expositor.
Conquistar clientes importa, mas também importam a expansão de contas, a validação de aplicações e o avanço nas decisões de investimento. Além disso, cada um desses pontos exige objetivos mensuráveis e uma atribuição confiável. Por exemplo, um negócio praticamente fechado antes da feira não deveria contar inteiramente como resultado dela.
A interpretação também exige cuidado. Afinal, a HP havia anunciado demonstrações virtuais da V12 antes do evento. Portanto, só a ausência física da empresa não basta como prova de um recuo estratégico.
O mesmo padrão para as feiras brasileiras
Devemos aplicar os mesmos critérios às feiras que atendem a indústria brasileira de impressão, rótulos e embalagens. Aliás, já discutimos aqui se a ExpoPrint 2022 valeu a pena. Então, o próximo passo é ter evidências mais sólidas sobre os resultados de feiras. Quantos compradores tinham projetos ativos? Quais incertezas técnicas encontraram resposta? Quantas oportunidades avançaram depois?
Os organizadores deveriam oferecer uma metodologia transparente de contagem de público e pesquisas de acompanhamento representativas. Por outro lado, os expositores deveriam definir objetivos e acompanhar os resultados ao longo de todo o ciclo de vendas. Em suma, tanto as declarações de fracasso quanto as de sucesso merecem o mesmo padrão de evidência.
Uma norma para medir resultados de feiras
Poderíamos desenvolver um modelo global para medir os resultados dos eventos? Ele poderia seguir o estilo de uma norma ISO (Organização Internacional de Normalização) e servir para avaliar feiras e congressos. Por exemplo, poderia cobrir público único verificado, relevância da audiência, aprendizado, oportunidades qualificadas e resultados posteriores. Assim, definições comuns permitiriam comparar eventos, com indicadores adaptados ao propósito de cada um.
Por isso, eu gostaria de aplicar esse mesmo escrutínio ao nosso congresso Pack to the Future, em 17 de novembro. Que metodologias existentes poderiam servir de ponto de partida? E quem ajudaria a construir um modelo em que organizadores, expositores, patrocinadores e participantes pudessem confiar?
Aislan Baer é CEO da ProjetoPack & Associados, consultoria de M&A (fusões e aquisições), turnaround e inteligência estratégica para a indústria de embalagens, rótulos e impressão na América Latina, e editor da ProjetoPack em Revista. Este artigo foi publicado originalmente em inglês no LinkedIn em 22 de setembro de 2026.