Resumo: A rotogravura é um sistema de impressão direto e rotativo em que a imagem fica gravada em pequenas células, os alvéolos, na superfície de um cilindro de metal. O cilindro gira na tinta, uma lâmina raspa o excesso e o material recebe a tinta que ficou nas células. Por isso, a rotogravura se destaca em grandes tiragens de embalagens flexíveis, papel de parede e revestimentos.
A rotogravura é um sistema de impressão encavográfico. Isso significa que a área de grafismo, isto é, a parte da imagem que vai para o material, fica “escavada” no cilindro de impressão (a fôrma).
Muitas vezes, dizemos sem perceber que a imagem está em “baixo-relevo”. Mas, na verdade, esse termo não faz sentido, uma vez que todo relevo fica em um ponto elevado.
Este vídeo do gravador de cilindros Janoschka dá uma boa noção de como se fabrica um cilindro de rotogravura:
História e desenvolvimento
Antes de tudo, o século 19 foi bastante produtivo em desenvolvimentos, ideias e patentes de fotografia, fotoquímica e produção de fôrmas. Muitas pessoas chamam as fôrmas de “matrizes”, mas aqui seguimos a nomenclatura das normas da ISO (Organização Internacional de Normalização) para o campo gráfico.
Henry Fox Talbot parece ter sido o primeiro a usar processos fotográficos para criar imagens de meio-tom em fôrmas de impressão, em 1852. Além disso, uma patente francesa de 1860 já descreve uma máquina bobina a bobina parecida com uma impressora de rotogravura moderna.
Mas foi a colaboração entre o pintor, fotógrafo e litógrafo tcheco Karel Václav Klíč (também grafado Klietsch) e o fotógrafo Samuel Fawcett que deu origem à Rembrandt Intaglio Printing Company, em 1895, na cidade inglesa de Lancaster. A empresa produzia impressos de arte e, em 1906, lançou a primeira impressão multicolorida em rotogravura.
Desde então, a rotogravura não parou mais. Por exemplo, em 1912, suplementos de jornais como o The Illustrated London News e o Der Weltspiegel já usavam a rotogravura.
Assim, a rotogravura passou a dominar setores como jornais, embalagens flexíveis de plástico e de papel, envoltórios de cigarro, papel de parede, revestimentos de piso e outros materiais que imitam padrões da natureza, como a madeira.
Mais tarde, o surgimento e o aperfeiçoamento da flexografia limitaram o crescimento da rotogravura, especialmente nas embalagens flexíveis. O motivo são os lotes cada vez menores e a maior segmentação de produtos, que dificultam diluir o custo dos cilindros, mais duráveis que as fôrmas flexográficas.
Características do sistema
Antes de mais nada, o processo de impressão é direto. Ou seja, o cilindro que transfere a imagem recebe a tinta e toca o material diretamente. É diferente da impressão offset, por exemplo, em que a chapa transfere a imagem a um elemento intermediário, a “blanqueta”.
Na prática, o cilindro metálico fica parcialmente imerso em uma banheira de tinta e gira dentro dela. Uma lâmina raspadora dosa com precisão a tinta arrastada pelo giro. Ao mesmo tempo, ela faz a tinta preencher todos os alvéolos gravados, cor a cor, e retira o excesso, deixando limpa a área de contragrafismo.
Em seguida, um rolo de borracha pressiona o substrato contra o cilindro, de forma suave e integral, para que ele receba a impressão. Quando a tinta não sai completamente das células, surge um defeito clássico do sistema: o “missing dot”, ou ponto “esquecido”. No dia a dia das empresas, os impressores também o chamam de entupimento, inversão do ponto, microfuro ou ponta de agulha (pinhole), entre outros nomes.
Portanto, para que a impressão seja precisa, vários elementos exigem dimensionamento e controle: a pressão e a dureza do rolo de borracha, as características da lâmina raspadora, a velocidade de impressão e a maciez e a topografia do substrato.
Como funciona a pré-impressão?
Alvéolos, ou células, formam todas as imagens gravadas em um cilindro de rotogravura. Essas células que se enchem de tinta e a levam até o substrato. Assim, a quantidade de tinta em cada célula corresponde à densidade que se deseja obter na impressão.
As dimensões dos alvéolos, a sua geometria e as características de raspagem são fatores-chave para a qualidade de impressão na rotogravura. O controle preciso da tinta e a competência do impressor cuidam do resto.
Aislan Baer, CEO (diretor-executivo) da ProjetoPack e especialista em impressão
Existem diferentes métodos para produzir cilindros de rotogravura. Atualmente, porém, o mais usual é o eletromecânico. Nele, um equipamento chamado de “gravadora” usa diamantes especiais para perfurar o cobre, definir a profundidade das células e “desenhar” a geometria mais adequada a cada cor, lineatura e característica de reprodução.
Como a gravação traduz as imagens, sejam meios-tons ou sólidos, em células, a rotogravura tem uma característica visual marcante: a “serrilha” em traços e linhas muito finos. É claro que existem técnicas, equipamentos e tecnologias, como a gravação de cilindros a laser, capazes de reduzir ou até eliminar esse efeito. Ainda assim, ele é identificável na maioria dos impressos do mercado.
Rotogravura, flexografia, offset e impressão digital: qual a diferença?
Antes de escolher um sistema, vale comparar os quatro. Assim, a tabela resume os pontos principais:
| Critério | Rotogravura | Flexografia | Offset | Impressão digital |
|---|---|---|---|---|
| Princípio | Direto: a imagem fica gravada em células no cilindro, que se enchem de tinta | Direto: a imagem fica em relevo no clichê, que recebe tinta do anilox | Indireto: a chapa plana passa a imagem para a blanqueta, que imprime o material; tinta e água se repelem | Sem fôrma: a máquina imprime direto do arquivo digital, por jato de tinta ou toner |
| Matriz (fôrma) | Cilindro de aço revestido de cobre, gravado e cromado, um por cor | Clichê flexível, em geral de fotopolímero, em chapa ou camisa | Chapa fina, em geral de alumínio, uma por cor | Não há; a imagem pode mudar a cada cópia |
| Substratos típicos | Filmes finos, como poliéster (PET), polipropileno biorientado (BOPP) e polietileno (PE), além de papel e laminados decorativos | Filmes plásticos, papel, alumínio, cartão, papelão ondulado e autoadesivos | Papel e cartão, principalmente | Papel e autoadesivos; em equipamentos próprios, também filmes e cartão |
| Tiragens | Grandes tiragens, que diluem o custo dos cilindros | Competitiva em tiragens pequenas e médias; máquinas modernas também rodam grandes volumes em alta velocidade | Médias e grandes | Curtas, a partir de uma cópia, inclusive com dados variáveis |
| Custo de setup | Alto: cilindros caros, com prazo maior de preparo | Médio: os clichês custam menos que os cilindros de rotogravura | Médio: gravação de chapas e acerto de máquina | Baixo, pois não há fôrma; em compensação, o custo por cópia é mais alto |
| Aplicações | Embalagens flexíveis de alto volume, papel de parede, revestimentos e revistas de grande tiragem | Embalagens flexíveis, rótulos e etiquetas, papelão ondulado e sacaria | Revistas, livros, impressos comerciais e rótulos | Rótulos e embalagens em tiragens curtas, personalização e impressos sob demanda |
Qual sistema de impressão escolher?
Em resumo, não existe um sistema melhor para tudo. Afinal, a escolha depende da tiragem, do material e do custo de preparar a máquina.
A tabela se baseia neste post e nos verbetes da Wikipédia, em inglês, sobre rotogravura, flexografia, offset e impressão digital. Para se aprofundar, leia também o que é flexografia e o que é offset digital.
Como está o mercado hoje?
Apesar de não viver mais o seu auge, a rotogravura continua relevante no mundo todo. Segundo o verbete da Wikipédia sobre o sistema, ela segue dominante nas embalagens flexíveis da Ásia e mantém presença forte na Europa, ao contrário das Américas, onde está estagnada.
O maior fator restritivo da rotogravura é o aumento da exigência ambiental para o uso do cromo, especialmente na Europa. Afinal, o cromo é o elemento químico usado no revestimento do cilindro para dar dureza e resistência à raspagem. Na União Europeia, o trióxido de cromo depende de autorização prevista no REACH, o regulamento europeu de substâncias químicas.
Por isso, várias empresas tentam reinventar a confecção de cilindros para estender a vida do sistema. A italiana Rossini, por exemplo, aposta em um cilindro de material polimérico especial, que elimina o cromo por completo. Leia mais em Rossini reinventa a rotogravura com cilindros de plástico.
Enquanto isso, no Brasil, há convertedoras icônicas com capacidade de impressão em rotogravura. Entre elas estão Amcor, Camargo Embalagens, Celocorte, Copobrás, Conver, Embalagens Flexíveis Diadema, Finepack, Gualapack, Toppan (Graffo e Inapel), Valgroup, Zaraplast e tantas outras.
A maioria das convertedoras de rotogravura do país tem impressoras de 8 a 10 cores da linha RS, da Bobst (Rotomec e Schiavi, empresas e projetos incorporados pela Bobst), da extinta Cerutti e até equipamentos nacionais da Profama e da São José.
Inclusive, algumas dessas máquinas mais antigas imprimem papéis de embrulho e embalagens decorativas. Assim, aproveitam mais uma característica da rotogravura: a impressão em “módulo contínuo”, ou “sem emendas”, que o cilindro proporciona.
Como formar uma equipe de rotogravura de alta performance?
As dimensões dos alvéolos, a raspagem e o controle da tinta dependem de uma equipe bem treinada. Por isso, o treinamento in company Excelência em Rotogravura, da ProjetoPack, capacita equipes de embalagens flexíveis, revestimentos e laminados sintéticos a operar departamentos de rotogravura eficientes e rentáveis.
Já para quem avalia levar parte da produção para a flexografia, existe o workshop Da Rotogravura para a Flexografia. Se quiser conversar sobre a sua operação, fale com a equipe da ProjetoPack.
Perguntas frequentes sobre rotogravura
O que é rotogravura, em poucas palavras?
Em resumo, é um sistema de impressão direto e rotativo em que a imagem fica gravada em células na superfície de um cilindro de metal. O cilindro gira na tinta, uma lâmina raspa o excesso e o material recebe a tinta que ficou nas células.
Do que é feito o cilindro de rotogravura?
Em geral, de aço revestido de cobre. Assim, a gravação da imagem acontece no cobre, normalmente por diamante (gravação eletromecânica), a laser ou por ataque químico. Por fim, o cilindro recebe uma camada de cromo, que dá dureza e resistência à raspagem.
Quando vale a pena imprimir em rotogravura?
Principalmente em grandes tiragens com qualidade constante, como embalagens flexíveis de alto volume, papel de parede e revestimentos decorativos. Como cada cor exige um cilindro gravado, o custo inicial é alto, mas o custo por unidade cai à medida que a tiragem cresce.
Qual a diferença entre rotogravura e flexografia?
Na rotogravura, a imagem fica gravada em células no cilindro de metal. Na flexografia, por outro lado, a imagem fica em relevo em um clichê flexível. Como os clichês custam menos que os cilindros, a flexografia tende a ganhar em tiragens pequenas e médias, enquanto a rotogravura se destaca nas grandes.
O que é o “missing dot” na rotogravura?
Em outras palavras, é o ponto que falha na impressão porque a tinta não saiu completamente da célula do cilindro. No dia a dia, o defeito também leva o nome de entupimento, microfuro ou ponta de agulha. Além disso, a pressão e a dureza do rolo de borracha, a lâmina, a velocidade e a superfície do substrato influenciam esse problema.
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Leia mais sobre o assunto:
O que é rotogravura (Wikipédia)
O que é flexografia
Macrotendências da pré-impressão na flexografia e na rotogravura