Resposta direta: sucessão em gráficas familiares é o processo de passar a gestão e a propriedade da empresa para a próxima geração, para um gestor contratado ou para um comprador, sem parar a operação. Há quatro caminhos: herdeiro na gestão, gestor de mercado, venda parcial ou venda total. O plano funciona quando começa cedo, separa família, empresa e propriedade, e é escrito antes de qualquer crise.
Resumo:
• Só 24 por cento das empresas familiares brasileiras têm plano de sucessão formalizado (PwC, 2021).
• Os quatro caminhos pedem preparos diferentes: formação, metas, números auditáveis ou valuation.
• Governança vem antes do nome do sucessor: conselho, acordo de sócios e protocolo familiar.
• Quem pensa em vender um dia precisa de uma empresa que funcione sem o dono.
Na indústria de embalagens, rótulos e impressão, muitas gráficas e convertedoras são empresas familiares, e várias estão chegando à troca de geração. Uma pergunta comum entre donos é simples: “quem toca isso quando eu sair?”
Por isso, este guia mostra os caminhos possíveis, o que cada um exige e como montar um plano que não trave a empresa no meio do caminho.
O que é sucessão em gráficas e por que ela trava?
Sucessão empresarial é a passagem planejada de duas coisas que costumam andar juntas na gráfica familiar: a gestão (quem decide no dia a dia) e a propriedade (quem é dono das quotas ou ações). Além disso, elas podem ir para pessoas diferentes.
Na prática, a sucessão em gráficas trava por três motivos frequentes:
- O fundador concentra tudo: ou seja, clientes, fornecedores, banco, preço e chão de fábrica passam por uma pessoa só.
- Família e empresa se misturam: assim, decisões de negócio viram assuntos de almoço de domingo, e vice-versa.
- Não há nada escrito: então, sem regras combinadas, cada herdeiro imagina um futuro diferente.
Segundo a 10ª Pesquisa Global sobre Empresas Familiares da PwC, citada pela Fundação Dom Cabral em reportagem da Exame de setembro de 2021, somente 24 por cento das empresas brasileiras de controle familiar têm um plano de sucessão formalizado.
Quais são os 4 caminhos de sucessão em gráficas?

| Caminho | Quando costuma fazer sentido | Principal risco | Prazo típico de preparo |
|---|---|---|---|
| 1. Herdeiro na gestão | Há um filho ou parente com vocação, formação e respeito da equipe. | Escolher por parentesco, não por competência. | Anos: o herdeiro precisa passar por áreas e ter metas. |
| 2. Gestor de mercado | A família quer continuar dona, mas ninguém quer ou pode gerir. | Fundador que não solta as decisões e esvazia o gestor. | Meses para contratar; anos para a família aprender a ser só sócia. |
| 3. Venda parcial | A família quer capital, um sócio estratégico ou dividir o risco. | Acordo de sócios fraco, que gera conflito depois. | De um a dois anos para arrumar números e governança. |
| 4. Venda total | Não há sucessor e o melhor valor está em um comprador. | Vender às pressas, em momento ruim, com desconto. | De um a três anos para maximizar o valor. |
Vale dizer que os prazos acima são a referência prática que usamos em projetos da ProjetoPack, não uma regra. Em resumo, o ponto central é que todos os caminhos ficam mais baratos e menos arriscados quando a decisão é tomada cedo.
Venda parcial é um caminho de sucessão de verdade?
Sim. Na sucessão em gráficas e convertedoras, a venda parcial é cada vez mais comum, e o setor de embalagens tem exemplos recentes. No nosso guia de fusões e aquisições no setor de embalagens, registramos que:
- a italiana Goglio comprou 51 por cento da Mega Embalagens em julho de 2023, e as famílias Wallauer e Gräf mantiveram 49 por cento;
- a Cacau Show comprou 90 por cento da Celocorte em fevereiro de 2026, e os sócios ficaram com 10 por cento;
- na Uniflexo e na Inapel, os antigos donos seguiram na gestão depois da operação.
Em outras palavras, nesses casos a família não “some” no dia seguinte. Pelo contrário, ela passa a dividir o controle e, muitas vezes, conduz a transição. Por outro lado, isso exige números auditáveis, um acordo de sócios bem escrito e clareza sobre quem decide o quê. Para entender como compradores avaliam esse momento, veja também Pessoas-chave na venda da empresa: se você vender amanhã, quem fica?
Como planejar a sucessão sem travar a empresa?
Um roteiro em seis passos, na ordem em que costuma funcionar:
- Separe os três círculos. O modelo de John Davis, adotado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), mostra que família, empresa e propriedade são esferas diferentes, com papéis diferentes.
- Converse em momento de harmonia. O IBGC recomenda criar as regras da família quando não há conflito aberto. Afinal, esperar a crise é o erro mais caro.
- Escreva o protocolo familiar. Na prática, é o acordo que define regras de entrada de parentes na empresa, uso de bens, dividendos e como resolver conflitos.
- Monte a governança. Conselho de administração (ou consultivo) para a empresa, conselho de família para os assuntos da família e assembleia de sócios para a propriedade.
- Organize patrimônio e números. Separe bens pessoais e da empresa, deixe os números auditáveis e conheça o valor da gráfica com um valuation.
- Escolha o caminho e o calendário. Por fim, defina quem assume, em que data, e o papel do fundador depois da passagem.

Sucessão foi um dos temas da 3ª edição do Clube dos 100, que a ProjetoPack promoveu com a XP Inc. em São Paulo. O encontro reuniu empresários da cadeia gráfica para tratar de gestão, patrimônio, sucessão e o futuro das empresas familiares.
Quais erros mais atrasam a sucessão em gráficas familiares?
- Nomear o sucessor antes das regras. Sem governança, o nome escolhido logo vira motivo de briga.
- Fundador que fica “só para ajudar” e, no entanto, continua decidindo tudo.
- Misturar patrimônio pessoal e da empresa, o que complica partilha, sociedade e venda.
- Empresa que depende do dono para vender. Por exemplo, se os principais clientes falam só com o fundador, o valor cai em qualquer caminho.
- Deixar para depois de um susto de saúde. Afinal, planejar a sucessão em gráficas sob pressão reduz as opções.
Glossário rápido
- Sucessão empresarial: passagem planejada da gestão e da propriedade de uma empresa.
- Protocolo familiar: acordo escrito entre os membros da família sobre a relação com a empresa.
- Acordo de sócios: contrato que regula direitos, votos, saída e venda de participação entre sócios.
- Conselho de família: fórum que trata dos assuntos da família empresária, separado da gestão.
- Valuation: avaliação do valor econômico da empresa.
- M&A ou F&A: fusões e aquisições (do inglês mergers and acquisitions).
Perguntas frequentes
Quando devo começar a planejar a sucessão da minha gráfica?
Quanto antes, melhor. Primeiro, escolha um momento de harmonia na família. Depois, considere o prazo: para herdeiros na gestão, o preparo costuma levar anos; para uma venda, de um a três anos ajudam a maximizar o valor.
O herdeiro precisa trabalhar na gráfica para ser sócio?
Não. Afinal, gestão e propriedade são coisas diferentes. Portanto, um herdeiro pode ser sócio sem trabalhar na empresa, desde que as regras estejam no protocolo familiar e no acordo de sócios.
Vender parte da empresa é desistir da sucessão familiar?
Não necessariamente. Na venda parcial, a família pode manter participação e até a gestão, como mostram casos recentes do setor de embalagens. Assim, ela vira um caminho de sucessão com um novo sócio.
O que é preciso organizar antes de qualquer caminho?
Governança (conselho, acordo de sócios e protocolo familiar), separação do patrimônio pessoal e da empresa, números auditáveis e uma empresa que funcione sem depender do fundador.
Como a ProjetoPack pode ajudar?
A ProjetoPack apoia donos de gráficas e convertedoras em todas as etapas: assessoria para planejamento sucessório, planejamento patrimonial de donos de gráficas e, para quem considera a venda, preparação para maximizar o valor da empresa. Fale com a ProjetoPack e, para acompanhar o setor, assine o Infopack, a newsletter da ProjetoPack.
Aislan Baer é CEO (presidente) da ProjetoPack & Associados, consultoria de M&A (fusões e aquisições), turnaround e inteligência estratégica para a indústria de embalagens, rótulos e impressão na América Latina, e editor da ProjetoPack em Revista.
Fontes: PwC, 10ª Pesquisa Global sobre Empresas Familiares (2021), citada por Exame e Fundação Dom Cabral (18/09/2021); IBGC, Caderno 15 “Governança da Família Empresária” (2016) e artigo “Protocolo Familiar”; ProjetoPack, guia de fusões e aquisições no setor de embalagens (2022–2026).



